Tendência Temporal Da Falta De Acesso Aos Serviços De Saúde No Brasil, 1998-2013

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Tendência Temporal Da Falta De Acesso Aos Serviços De Saúde No Brasil, 1998-2013

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11343.htm
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Por sua vez, a busca inadequada de serviços de nível secundário e terciário de assistência a saúde por problemas pertinentes à atenção primaria também resultaria em relato de falta de acesso, conforme mensurado. Não obstante, esse possível viés no estudo é minimizado pela alta na proporção de busca de UBS entre os indivíduos que tiveram falta de acesso. Outra limitação refere-se às diferenças metodológicas entre a PNAD e a PNS, como a não inclusão dos domicílios rurais nas PNAD 1998 e 2003, e diferenças no espalhamento geográfico da amostra, tendo em vista que houve diferença quanto aos municípios incluídos nas pesquisas. Entretanto, por haver-se realizado comparações entre municípios específicos, espera-se, em geral, baixa influência dessas diferenças metodológicas nas estimativas de tendência temporal.
Além das consultas, as clínicas populares também estão preparadas para realizar exames laboratoriais e de imagem por preços que cabem no seu bolso, tornando o seu dia a dia ainda mais prático. Outra desvantagem do plano de saúde é que, mesmo pagando caro desde a assinatura do contrato, você não tem a garantia de atendimento imediato, já que as operadoras de saúde estão autorizadas por lei a estipular períodos de carência no início do contrato. Além da mudança de valor por faixa de idade, o plano também está sujeito a reajustes anuais, o que tornam seus custos ainda menos previsíveis e essa alternativa para ter acesso a médicos de ponta, menos viável. Isso acaba dificultando ou mesmo impossibilitando a continuidade do tratamento no caso de doenças crônicas, que exigem acompanhamento constante e, por si só, já costumam abalar o orçamento com outros gastos envolvidos, como medicamentos e exames laboratoriais. A proposta prevê o levantamento por todos os Comitês Estaduais sobre a quantidade de demandas em tramitação nos respectivos estados que visem o acesso à Atenção Primária e Secundária, realizando levantamento tanto nos registros do Poder Judiciário, como nos órgãos gestores da saúde (mediante preenchimento de formulário padrão). As equipes podem ser compostas por enfermeiro, psicólogo, assistente social, cirurgião dentista, terapeuta ocupacional, médico, agente social, técnico ou auxiliar de enfermagem, técnico ou auxiliar em saúde bucal e profissional de educação física.

Acesso à saúde


Apesar da baixa relevância em termos percentuais, a magnitude da falta de acesso observada no Brasil é um problema importante. Cabe destacar que o desfecho avaliado se refere à falta de atendimento no primeiro serviço procurado e não a barreiras no acesso. Isto é, não foram considerados aqueles indivíduos que não procuraram os serviços de saúde por enfrentarem diferentes dificuldades de acesso, relacionadas a seu comportamento na busca por atendimento, questões pessoais,1 discriminação22 e problemas organizacionais. O aumento na procura e a estabilidade na falta de acesso indicam avanços no desempenho do sistema público de saúde; esforços adicionais são necessários para garantir o acesso universal aos serviços de saúde no Brasil. Destaca-se o papel dos usuários, dos trabalhadores de saúde e gestores como os protagonistas na efetivação do acesso aos serviços de saúde; e do controle social que deve apontar e buscar soluções para as demandas invisíveis e para os principais pontos de exclusão ao acesso que a população enfrenta neste árduo caminho em busca de solução para suas demandas.

Identificar a tendência da falta de acesso à saúde no país poderá ajudar na sinalização dos desafios ainda existentes para o SUS, além de contribuir para subsidiar políticas e ações necessárias no sentido de garantir, de fato, o acesso universal aos serviços de saúde estabelecido na Constituição Federal de 1988. O objetivo deste estudo foi analisar a tendência temporal da procura e da falta de acesso aos serviços de saúde no Brasil no período de 1998 a 2013. No tocante à dimensão econômico-social, esta pode ser analisada levando em consideração os investimentos na rede pública por nível de complexidade (básico, médio e alta complexidade), com definição das responsabilidades de financiamento por esfera de poder (federal, estadual e municipal). Não obstante, possibilitar interações objetivas, traduzidas na referência interestadual e intermunicipal da oferta e da demanda concretas aos serviços de saúde. Nesse sentido, é preciso a identificação das barreiras econômicas, sociais, culturais e físicas para proporcionar equidade na dinâmica da organização dos serviços em seus diferentes níveis de complexidade do sistema. Nessa perspectiva, o processo de avaliação não pode prescindir da participação ativa e democrática dos sujeitos que produzem e consomem os serviços de saúde.
A maioria dos motivos para falta de acesso esteve relacionada à falta de profissionais para o atendimento, principalmente médicos. A dimensão relacionada à organização da rede de saúde sustenta-se na capacidade dos serviços de saúde em dar respostas objetivas aos problemas demandados pelos usuários. Para tanto, é necessário fortalecer a "porta de entrada" no nível básico da atenção, demarcando os fluxos dos atendimentos organizados a partir das demandas epidemiológica, sanitária e social. A regulação teria que responder de fato a estas, com garantia do atendimento nos diferentes níveis de complexidade.

Acesso à saúde


Discutir acesso relacionado a políticas voltadas para grupos específicos é procurar apreender a concepção de equidade. Equidade em saúde é compreendida como diretriz de organizar ações e serviços de saúde distintos e direcionados para grupos populacionais desiguais socialmente, com forte traço de "discriminação positiva" para superar estas desigualdades injustas através da formulação e implementação de determinadas ações50. O programa  se baseia no atendimento da população por médicos generalistas ou especialistas em saúde da família. Prevê ainda a atuação de agentes comunitários da área da saúde, que visitam as casas para acompanhar a saúde da população brasileira.
Dois anos depois, em 1990, a Lei nº 8.080 regulamentou o Sistema Público de Saúde em todo território nacional. Também promove serviços como prevenção, vacinação e controle das doenças, além de atuar na assistência farmacêutica, educação, promoção e gestão da Saúde. “Os serviços privados só atuam mediante interesse econômico e praticamente não estão disponíveis em municípios de baixa renda. Assim, o caráter universal do SUS se torna ainda mais importante, principalmente, para quem mais precisa. Necessário lembrar que a Enfermagem responde por aproximadamente 59% da força de trabalho desses serviços”, enfatiza a presidente do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Betânia Santos. Dados do Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES) mostram que 34% dos municípios brasileiros não oferecem serviços particulares de saúde, dependendo exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS), o que reforça tamanha importância e valorização desse sistema.


De 2008 a 2013, a população idosa aumentou de 8,8 para 13,0%; a proporção de indivíduos que se declararam de cor da pele branca diminuiu de 54,0 para 45,6%; e o percentual de indivíduos sem instrução diminuiu de 27,7 para 16,2%. A cobertura por plano de saúde se manteve estável, com sutil aumento em 2013, alcançando 27,9% da população brasileira (Tabela 1). As políticas de saúde devem ser capazes de eliminar a barreira financeira entre os serviços e a comunidade, de enfrentar a mercantilização do setor saúde e a desproporção oferta/demanda existente; e construir uma rede de atenção regionalizada e hierarquizada que garanta o acesso universal, equitativo e integral. A proposição de políticas de saúde para grupos específicos gera polêmica por ser, a princípio, contrária à universalidade defendida na Carta Magna. "Verifica-se que importantes justificativas teóricas são impostas para a adequação dos serviços às demandas, porém o acesso à APS não deve lançar mão de nenhum método ou processo que eleja populações prioritárias, visto que, no sistema, esse nível é considerado a porta de entrada"37. Mesmo considerando que grande parte de unidades ambulatoriais brasileiras são de propriedade estatal42, a distribuição destes serviços ainda não ocorre de maneira uniforme entre os diferentes Estados brasileiros.
Você poderá, a qualquer momento, se descadastrar de nossos contatos ou revogar o consentimento dado abaixo pelos nossos canais de atendimento. O projeto judicialização e sociedade, sob a coordenação do Comitê Nacional e dos Tribunais de Justiça e dos Tribunais Regionais Federais – por intermédio de seus Comitês Executivos locais – consiste em realizar levantamento de dados junto às respectivas unidades jurisdicionais e instituições estaduais e municipais de saúde. O Ministério da Saúde orienta que haja sempre uma abordagem centrada na pessoa e no coletivo associada às características específicas dessa população, fazendo articulação entre Sistema Único de Saúde (SUS) e Sistema Único de Assistência Social (SUAS), demais equipamentos sociais e sociedade civil. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define o conceito de saúde como o estado completo de bem-estar físico, mental e social do ser humano, e não somente como a ausência de doenças. A pesquisa sobre o Acesso e Utilização de Serviços de Saúde ouviu 385 mil pessoas, em mais de 133 mil domicílios.