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Ela conta que os profissionais do hospital não trabalham com dietas ou mesmo com proibição de alimentos, mas sim em construir uma alimentação saudável. “Ensinamos algumas estratégias para a criança aprender a lidar com a comida. A obesidade deve ser combatida porque ela é um forte fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis. Pessoas obesas têm mais chance de sofrer infarto, AVC, trombose, embolia e arteriosclerose, além de problemas ortopédicos, apneia do sono e alguns tipos de câncer.
A criança obesa sente-se excluída, discriminada, sozinha, tem dificuldade de acompanhar o grupo nas atividades e brincadeiras, além das dores e outros problemas. Isto pode gerar baixa autoestima, problemas de aprendizagem e comportamento. O sofrimento psíquico perpetuador da obesidade revela como se sentem estigmatizadas. Crianças obesas frequentemente sofrem de ansiedade e podem desenvolver problemas de habilidade social. Além disso, crianças que sofrem com ansiedade geralmente têm baixo rendimento escolar. Nada de obrigar as crianças a comerem alimentos que elas não curtem, pois essa atitude impositiva aumenta ainda mais a resistência e repulsa dos pequenos em relação à comida.
As crianças da escola particular afirmaram gastar o seu dinheiro principalmente com brinquedos e jogos eletrônicos. A maioria das crianças da escola pública disse gastar seu dinheiro em guloseimas, além de comprar alimentos para casa ou dar o dinheiro para os pais. No entanto, entre as crianças da escola pública, foram feitos poucos comentários sobre restrições ao consumo de alimentos não saudáveis pelos pais, que mencionavam prejuízos à saúde bucal ou gasto desnecessário de dinheiro. Grande parte dessas crianças relatou não perceber controle dos pais sobre seu consumo de guloseimas. A seleção de uma escola particular e de uma escola pública se deu a fim de diferenciar os níveis de renda familiar das crianças.
Nenhuma criança associou o consumo de frutas, legumes e verduras ao ambiente escolar. A família deve ser orientada para não oferecer doces, sorvetes e refrigerantes para a criança pequena. Então, é importante que as crianças não recebam esses alimentos antes dos dois anos de idade”, comenta Patrícia Jaime, do Ministério da Saúde. “O consumo dessas comidas faz com que as crianças se desinteressem pelos alimentos saudáveis e a má alimentação pode se perdurar na idade escolar e na adolescência”, completa. A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil recomendam que até os seis meses de idade as crianças sejam alimentadas apenas com o leite materno. [newline]Tais recomendações não são por acaso e buscam aumentar as chances de um futuro saudável para os pequenos, tendo em vista que são nos primeiros mil dias de vida, período chamado de primeira infância, que se tem a formação do hábito alimentar. Restringir o acesso a alimentos muito palatáveis pode aumentar nas crianças a preferência por eles, além de despertar o desejo de consumi-los23.
A preferência por alimentos doces é natural desde o nascimento e, portanto, pode atrapalhar a aceitação de frutas e de vegetais. E, como as crianças tendem a imitar o comportamento dos pais, é importante que os familiares deem o bom o exemplo. Além disso, pesquisas indicam que a probabilidade de as crianças sofrerem de obesidade dobra quando seus pais estão acima do peso. Felizmente, existem várias maneiras de os pais moldarem o comportamento alimentar de seus filhos de maneira positiva.
Para evitar que se tornem adultos obesos ou com excesso de peso, os pais devem ficar alerta e combater a obesidade infantil, principalmente nos primeiros anos de vida. Ensinar a criança a manter uma alimentação saudável pode ser um desafio e tanto para os pais, ainda mais, diante da rotina atribulada e do tempo curto para pensar no preparo de alimentos. Não à toa, uma pesquisa revelou que 51% das mães brasileiras afirmam ter dificuldades para alimentar os filhos. Principalmente, aqueles que comem pouco, querem sempre a mesma coisa ou mesmo não se interessam pela comida. O estudo, realizado pela Abbott Nutrition, ouviu 984 mães de todas as regiões do Brasil e mostrou que esse comportamento é mais comum entre os 3 e os 7 anos de idade.
Nesses documentos, estão disponíveis orientações alimentares com foco na promoção da saúde e na prevenção de doenças. O consumo precoce e continuado desses alimentos, advertiu Longo-Silva, leva ao incremento de doenças crônicas não transmissíveis, a exemplo de diabetes, hipertensão, colesterol alto, dislipidemia, síndrome metabólica, câncer, entre tantas outras. “Há o aumento de mais de 50% na incidência dessas doenças na população infantil. Males que antes só acometiam os adultos, hoje ocorrem em crianças na primeira infância por causa dessa alimentação tão ruim como foi revelada pelo Sinucri”. A psicóloga e influenciadora digital Flavia Melissa é mãe de Gael, 5 anos, e Dante, 2. Todos, incluindo o marido e pai das crianças, são veganos e durante a pandemia tiveram uma experiência positiva em relação aos hábitos alimentares.