Ensinar para que os jovens vivam bem com sua sexualidade, com liberdade e respeito, que sejam críticos e saibam identificar situações para serem capazes de se posicionar”, afirma Figueiró. Miriam ainda reforça que não é necessário que o professor seja especialista em educação sexual, mas é fundamental que seja um profissional informado sobre o assunto. “Quando a escola desenvolve e fala sobre esse assunto, muitos casos de violência vêm à tona e o aluno percebe que o que está acontecendo. O professor deve estar atento aos alunos e disposto a escutar as crianças, tendo cuidado e sensibilidade”, destaca.
75,5% deles também receberam informações sobre a prevenção da gravidez precoce e apenas 67,6% receberam informações de como adquirir preservativos gratuitamente. O PSE também deve trabalhar atividades de prevenção de violências e acidentes, saúde mental, promoção da cultura de paz e direitos humanos. Entidades do país inteiro vieram a público se posicionar contra a abordagem proposta por Damares. No dia 28 de janeiro, logo após a publicação da nota técnica do MMFDH, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu um posicionamento enfatizando que o amplo acesso à educação e à informação, junto com serviços de saúde qualificados, são as únicas ferramentas comprovadamente eficazes para evitar que meninas engravidem.
Educação sexual é tão importante que é assunto de uma das séries da Netflix mais assistidas no Brasil e no mundo. Atualmente em sua segunda temporada, Sex Education se passa em uma escola de ensino médio, no interior da Inglaterra. Explore Um aluno chamado Otis Milburn (Asa Butterfield), cuja mãe é uma renomada sexóloga, começa a dar conselhos e informações em torno do tema a outros alunos, transformando a prática em um negócio com a ajuda de sua colega Maeves (Emma Mackey). Saiba as novidades A educadora em sexualidade Lena Vilela destaca ainda que é na instituição de ensino que as crianças e adolescentes passam a maior parte do dia e é o local em que ampliam o aprendizado sobre se relacionar com o próximo. “A escola precisa participar dessa educação sobre sexualidade, porque a criança está um bom tempo do dia dela na escola. A sexualidade tem a ver com os relacionamentos da criança, tanto a relação dela com ela mesma como a relação dela com as outras pessoas.
Além disso, a maioria (9 em cada 10) acredita que discutir o assunto no ambiente escolar pode apoiar a prevenção contra o abuso sexual de crianças e adolescentes. Ainda que o momento seja de grande pressão política para que a Educação Sexual, assim como quaisquer questões ligadas à gênero e sexualidade, sejam silenciadas nas escolas brasileiras, existe toda uma teia de documentos normativos, acordos internacionais, manuais, leis e decretos que respaldam e legitimam o trabalho dessa temática nas escolas brasileiras. E, para além disso, a pesquisa demonstrou que a prática educacional realizada sem a inserção de uma Educação Sexual sistematizada está na contramão da legislação nacional. Pelo mesmo caminho foi a declaração do Senado da Flórida que aprovou uma Lei que limita a discussão de temas sobre relações sexuais e gênero nas escolas. Oficialmente chamada de "Lei dos Direitos Parentais na Educação", mas apelidada de "Lei Não Diga Gay" por ser considerado um movimento conservador, a lei determina que as instituições de ensino não poderão mencionar temas relacionados a orientação sexual ou identidade de gênero para alunos de 5 a 9 anos. Além de proteger contra abuso sexual, a educação sexual na escola ajuda a evitar casos de gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis.
No Brasil, os impactos da internet nas descobertas da vida sexual dos jovens já é um dado concreto. Os meios de comunicação acabam estimulando e indagando curiosidades precoces em jovens e crianças. Assim, como forma de conscientização e responsabilidade individual sobre o assunto, o ensinamento sobre as questões sexuais se torna cada vez mais importante dentro de casa e/ou nas instituições de ensino. Reconhecendo a iniciação prematura da vida sexual destes por influência da mídia e de outros meios de comunicação que, ao tempo que previnem também, incentivam fantasias sexuais às crianças. Mesmo que estes programas proíbam a veiculação destas informações à determinada faixa etária, os pais não detêm mais o controle delas aos filhos, nem esclarecem o significado das mesmas, lhes dando certa autonomia implícita para construírem seus próprios conceitos.
A sexualidade da criança é diferente da do adulto e o foco é o conhecimento do próprio corpo. Conversar com a criança sobre a sexualidade não estimula a prática sexual precoce, muito pelo contrário”, afirma a psicopedagoga Miriam de Oliveira Dias, que é especialista em violência doméstica e fundadora do projeto “Protegendo com Amor”. Praticamente todos os educadores que atuaram em escolas, especialmente na sala de aula, já tiveram experiências em que viram como as crianças e adolescentes podem ser cruéis uns com os outros — ou mesmo consigo mesmos. A educação sexual pode combater isso, ajudando a criar uma escola mais inclusiva e humana.
Entretanto, o mesmo não acontece na renda acima de 5 salários mínimos, em que a proporção não chega a 1%. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a gravidez precoce acontece em meninas entre 10 e 20 anos. Somente nas últimas duas décadas, a OMS estima que 13 milhões de garotas nessa faixa etária engravidaram no Brasil. Por isso, é tão importante incluir esse conteúdo no currículo desde a Educação Infantil. Apesar dos avanços, ainda temos um longo caminho pela frente e um trabalho conjunto entre escolas e famílias.
Grande parte das crianças, jovens e adolescentes é violada por parentes e pessoas próximas da família. O caso mais recente noticiado foi o da menina de 10 anos que sofria violência sexual desde os seus 6 anos de idade. Por muito tempo, e ainda hoje, por falta de abertura para diálogo, foi considerado um tabu conversar com o público infanto-juvenil sobre sexo e sexualidade, por pensar que essa conversa seria guiada para o caminho do ato em si.