Doenças Negligenciadas Estão Nos Países Pobres E Em Desenvolvimento

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Doenças Negligenciadas Estão Nos Países Pobres E Em Desenvolvimento

Neste artigo, a situação das principais DTNs no Brasil é descrita e correlacionada com o IDH e a pobreza. As doenças negligenciadas são um problema global de saúde pública, mas a P&D das indústrias farmacêuticas é orientada quase sempre pelo lucro, estando o setor industrial privado focado nas doenças globais para as quais medicamentos podem ser produzidos e comercializados com geração de lucros. Com baixo poder aquisitivo e sem influência política, os pacientes e sistemas de saúde mais pobres não conseguem gerar o retorno financeiro exigido pela maior parte das empresas voltadas ao lucro.
https://www.gov.br/pf/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/relatorio-de-drogas-sinteticas-2021/relatorio_drogas_sinteticas_2021___versao_final___revisado_ljm___edb_assinado_assinado.pdf
Segundo o relatório da G-Finder sobre  investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em doenças negligenciadas, o investimento no Brasil caiu muito nos últimos anos - apesar de ter crescido no mundo, onde atingiu seu maior patamar em 2017. No caso das doenças negligenciadas, no entanto, praticamente toda a pesquisa e desenvolvimento é feita pelo setor público ou por instituições sem fins lucrativos, principalmente estrangeiras. A falta de interesse da indústria farmacêutica faz com que essas doenças tenham tratamentos muito antigos, com limitações, baixa eficácia e reações adversas, explica Jadel Katz.
Nos próximos três anos, os grupos de Andricopulo e de Kevin David Read, da Drug Discovery Unit (DDU) da Universidade de Dundee, na Escócia, vão investigar o uso de produtos naturais bioativos para a descoberta de novos fármacos para o tratamento da leishmaniose e da doença de Chagas. Embora contribuam  com 11% da incidência de enfermidades no mundo, as chamadas doenças negligenciadas são alvo de uma pequena fração de medicamentos que são desenvolvidos todos os anos. Pfizer, Merck, Sanofi-Aventis, Bayer, Eisai e outras têm feito parcerias em P&D de novas drogas e na distribuição de medicamentos a populações afetadas. Nos últimos dois anos foram lançados, entre outros, dois medicamentos antimalária e um novo tratamento para estágios avançados de doença do sono. Quase 40 anos após o lançamento dos dois únicos remédios disponíveis para doença de Chagas, foi anunciado, em 2009, um acordo entre a DNDi e a Eisai para teste de um novo medicamento contra a doença.
Elas são diferentes uma da outra, mas têm em comum o fato de atingirem principalmente pessoas de baixa renda ou em condição de miséria, em lugares pobres e em países em desenvolvimento. Essas doenças acabam sendo esquecidas porque elas perdem o interesse do mercado de venda de medicamentos, isto é, a produção das vacinas custa muito caro e não dá retorno para as indústrias farmacêuticas. Outra característica das doenças negligenciadas, é que elas normalmente atinge os mais pobres, elas são causadas pelo consumo de água não tratada, por falta de higiene, saneamento básico e também, pelas condições precárias das casas onde as pessoas moram. Para Lotrowska, a situação é consequência "tanto de políticas públicas insuficientes voltadas para P&D de medicamentos de interesse nacional dos países em desenvolvimento, quanto da falta de mercado, provocada pelo baixo interesse econômico que esses pacientes representam para a indústria". Com baixo poder aquisitivo e sem influência política, os doentes e sistemas de saúde de países pobres não conseguem gerar o retorno financeiro exigido pela maior parte das empresas. – Até 2030, erradicar a epidemia de Aids, tuberculose, malária e doenças tropicais negligenciadas e combater a hepatite, as doenças transmitidas pela água e outras doenças transmissíveis.
Foram analisados os investimentos em pesquisas sobre sete doenças negligenciadas incluídas na Agenda Nacional de Prioridades de Pesquisa em Saúde do Brasil pelo MS e sua correlação com a carga dessas doenças na população. Entretanto, a subsecretária também lembra que alguns desafios ainda precisam ser superados nesse âmbito, em virtude da amplitude do estado e das reais condições de desigualdade social do território. Tais ações esbarram principalmente na rotatividade dos profissionais e no elevado número de demandas prioritárias pelas quais as equipes são responsáveis. “Há que se considerar também as características das doenças negligenciadas que acometem principalmente populações com alto grau de vulnerabilidade econômica e social, o que demanda uma ação muito mais ampla do que o escopo de atuação do setor saúde”, pondera. O Instituto Octávio Magalhães da Funed é o Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais (Lacen-MG) e, como tal, é um centro de referência estadual em diagnósticos laboratoriais para diversas doenças. A Funed também é um Laboratório Farmacêutico Público Oficial e, por isso, atua na produção de medicamentos estratégicos para a saúde da população.
https://www2.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/quest_drogas/cocaina.htm
Nova oficina de prioridades em doenças negligenciadas foi realizada em 2008, visando ao lançamento de edital temático na área. A Secretaria de Vigilância em Saúde do MS é também parceira desse programa, contribuindo tecnicamente para o processo de definição de prioridades na área e para a avaliação dos resultados das pesquisas financiadas. Por afetarem, principalmente, as populações mais vulneráveis, em termos de indicadores sanitários, o Ministério da Saúde estima que as DTNs ameacem mais de 1,7 bilhão de pessoas no mundo, justamente as que vivem nas comunidades mais pobres e marginalizadas. Doenças que cegam, incapacitam e desfiguram, atingindo não apenas a saúde física e mental, como também as chances de convívio social.
“Do rol das moléstias negligenciadas, a dengue foi talvez a que teve maior planejamento público de pesquisa, com desdobramentos importantes, entre eles um composto candidato a vacina em desenvolvimento pelo Instituto Butantan”, afirma Dias. Na outra ponta, enfermidades como oncocercose, equinococose e tracoma responderam por apenas 0,3% das pesquisas e 0,1% dos recursos despendidos – entre 2008 e 2019, o Brasil registrou mais de 191 mil casos de tracoma. Os valores foram atualizados para  2021 e ajustados pela paridade de poder de compra, métrica usada para equiparar moedas de diferentes países de acordo com sua capacidade de adquirir bens e serviços. O restante veio de fundos setoriais (14,7%), de agências estaduais de apoio à pesquisa (11,5%) e dos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação (0,5%). A Fundação Bill e Melinda Gates, organização filantrópica com sede nos Estados Unidos reconhecida por seus esforços no combate a doenças como malária, contribuiu com 3,6% do quinhão destinado a pesquisas sobre essas moléstias no Brasil – os recursos, nesse caso, foram para trabalhos sobre dengue e tuberculose.
https://jornal.usp.br/radio-usp/colunistas/as-drogas-sinteticas-assombram-nossos-jovens/

Doenças negligenciadas


https://pt.wikipedia.org/wiki/Coca%C3%ADna
O estudo sobre a criação e aplicação de remédios propriamente ditos acaba ficando com a iniciativa privada, que tem mais dinheiro e estrutura - além do interesse econômico nisso. "Eles cuidam mais dessa etapa onde há as questões regulatórias, os testes clínicos, que exigem participação de pacientes, dinheiro", diz Katz. Elas são silenciosas, diz a OMS, "porque as pessoas afetadas ou em risco têm pouca voz política". Os pesquisadores destacam, no entanto, o grande avanço que será a liberação do fexinidazol para tratar a tripanossomíase africana humana, em 2019. O progresso em direção às metas de 2030 deve ser mantido no caminho certo, promovendo operações inovadoras e financiamento sustentável. A pandemia do COVID-19 e um cenário de mudança no financiamento, bem como um contexto internacional imprevisível, representam desafios para quem trabalha com DTNs.