dependência química 23

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dependência química 23

Brasil Dependência Química E Trabalho: Uso Funcional E Disfuncional De Drogas Nos Contextos Laborais Dependência Química E Trabalho: Uso Funcional E Disfuncional De Drogas Nos Contextos Laborais

Há casos que necessitam de internação direta e há casos que não necessitam de internação e sim de tratamento ambulatorial. Esse é outro dentre os sintomas de dependência química que varia conforme cada pessoa. Entretanto, independentemente de quando ocorra, o dependente negligencia deliberadamente os autocuidados, tratando a si mesmo com total descaso. Normalmente, os efeitos mais comuns da dependência química são bastante característicos, aliam mudanças fisiológicas, cognitivas, emocionais e de comportamento, que costumam se manifestar após o consumo repetido de certa droga.
A Organização Mundial de Saúde,  define o uso nocivo como um padrão de uso de substâncias psicoativas que está causando danos à saúde, podendo ser este de natureza física ou mental. Alguns depoimentos dos advogados londrinos e franceses, já citados anteriormente, são igualmente reveladores desse caráter funcional da droga em certos contextos de trabalho (SWAPS, 2009). Uma advogada francesa, por exemplo, disse que a cocaína é "bastante tolerada" nesse meio profissional, já que ela permite que a pessoa permaneça "em forma", sentindo como "se tivesse uma verdadeira vida, enquanto passa seus dias e noites no escritório" (p. 19). Nesse caso, acrescenta ela, "vale mais se iludir", pois não é "forçosamente normal querer trabalhar quinze horas por dia". E finaliza dizendo que "a coca é a droga perfeita para se inflamar, sobretudo, quando a gente é advogado no ramo de negócios [...] onde se quer sempre ser o (ou a) melhor" (p. 19).

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A necessidade é simplesmente incontrolável, e esse é o momento em que, ainda que se deseje, não se consegue mais parar o uso, o que acaba se tornando um hábito completamente sem controle. Entre eles estão fatores genéticos, ambientais, sociais e psicológicos, que dependem, ainda, da frequência e quantidades ingeridas da substância em questão. Qualquer pessoa pode acabar desenvolvendo dependência e isso não deve ser tratado como motivo de vergonha ou falha moral. Com a dependência também se percebe uma tolerância maior aos efeitos da substância, precisando assim de quantidades maiores para obter o efeito desejado.

Existem fatores de risco e protetores, associados ao indivíduo e ao contexto em que ele se encontra integrado, que facilitam, dificultam ou inibem a passagem para diversas fases. É considerada doença crônica, tal qual a hipertensão arterial e o diabetes, e, como tal acompanha o indivíduo por toda sua vida. Como toda doença crônica, o tratamento é voltado para a redução dos sintomas, que afetam não apenas o paciente, mas toda comunidade ao seu redor. Vale lembrar que reconhecer os sintomas de  dependência química é fundamental, mas não pode ser o único passo, e sim o primeiro. Não há exatamente uma causa que leve o indivíduo a desenvolver dependência química, apesar de muitos serem os cientistas e estudiosos que se dedicam ao assunto. Pesquisas na área concluíram que filhos de alcoólatras, por exemplo, possuem 4x mais chances de desenvolverem o alcoolismo.

A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada e tem papel fundamental na abordagem desses pacientes. A rede também conta com centros especializados nesse tipo de atendimento, como o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Para quem deseja atendimento na rede particular, Gustavo orienta buscar a ajuda de um profissional de saúde, médico ou psicólogo.
Por conta disso, a internação é recomendada para eliminar as substâncias nocivas do organismo e amenizar os seus efeitos colaterais. Equipes multidisciplinares e especializadas para receber, acolher e tratar esses pacientes são imprescindíveis para que o tratamento seja realizado de acordo com as necessidades do dependente químico. Não existe uma única alternativa para tratar o transtorno, ela pode variar de acordo com o quadro clínico do paciente. Geralmente, o tratamento se inicia com a redução de dano, que é quando a pessoa não aceita ajuda inicial e então profissionais de saúde auxiliam  com medidas para reduzir os danos causados pela droga. A pessoa com dependência química sente que precisa usar a droga sempre mais para obter os mesmos efeitos.

O descontrole também é uma consequência da fissura, que torna a pessoa inconsciente da quantidade de substância ingerida. Afirmar que o indivíduo pode se livrar do vício sozinho também é um mito recorrente. Apesar de não ser impossível, é mesmo um enorme desafio, já que não se trata apenas de força de vontade, mas, sim, de efeitos químicos produzidos pelo organismo. Na verdade, muitas pessoas, ao pensarem que podem vencer sozinhas essa batalha, acabam piorando ainda mais o quadro. Implantação de rede complementar de atendimento a usuários de álcool e outras drogas e seus familiares, com o objetivo de ampliar a oferta de cuidado existente no Estado.