“Ao incorporar ciência e tecnologia na fronteira do conhecimento, a pesquisa e desenvolvimento de medicamentos para doenças negligenciadas progrediu consideravelmente. No entanto, o estudo revela uma grande distância entre o impacto dessas doenças e o desenvolvimento de novas terapias para elas”, escreveram os autores. Nenhuma das novas entidades químicas, entre 2012 e 2018, foi direcionada para doenças tropicais negligenciadas, mas sim para malária e tuberculose. As novas terapias para a tuberculose (bedaquilina), com um novo mecanismo de ação, e para a malária por Plasmodium vivax (tafenoquina) são novidades marcantes nos últimos 40 e 60 anos, respectivamente. Em janeiro de 2021, começou a valer um novo roteiro feito pela OMS com foco no combate às 20 doenças tropicais negligenciadas que afetam mais de 1 bilhão de pessoas no mundo.
Esse programa estimula o investimento das fundações de amparo à pesquisa estaduais, secretarias estaduais de Saúde, assim como secretarias de ciência e tecnologia estaduais e suas participações como gestores do programa. Dessa forma, além dos projetos financiados pelos editais temáticos nacionais, outros projetos na área de doenças negligenciadas foram financiados por editais do PPSUS. De 2003 a 2008, por exemplo, foram 203 projetos financiados, totalizando investimentos da ordem de R$ 10,6 milhões. A pobreza está intrinsicamente relacionada à ocorrência de doenças tropicais negligenciadas (DTNs). De acordo com informações do Ministério da Saúde (MS), os principais países com os menores índices de desenvolvimento humano (IDH) e a maior carga de DTNs estão nas regiões tropicais e subtropicais do globo terrestre.
“Nós atuamos sob demanda espontânea, por isso realizamos as análises de acordo com as necessidades do estado. O grande diferencial de um laboratório de saúde pública é que ele trabalha com o diagnóstico que é importante para a saúde da população naquele momento e não motivado por interesse econômico”, explica Josiane. Leia os detalhes No entanto, o ministério destacou uma lista de ações de combate às doenças negligênciadas que não envolvem pesquisa e desenvolvimento (e por isso não estão no relatório G-Finder), como "repasses extras anuais superiores a R$ 10 milhões para intensificação das ações de controle da malária nos Estados com maior registro de casos". As doenças negligenciadas constituem conjunto de doenças infecciosas altamente prevalentes, elas afetam profundamente a qualidade de vida e geram impactos socioeconômicos negativos para população dos países mais pobres. Saiba tudo Dada a importância de se debater a respeito dessas doenças, será realizado, de 24 a 26 de maio na UFLA, o IV Simpósio Brasileiro de Doenças Negligenciadas (IV SBDN). Serão mais de vinte temas que abordarão, por exemplo, as leishmanioses, a hanseníase, as arboviroses (que incluem doenças como dengue, zika, febre chikungunya e febre amarela), a doença de chagas, as helmintoses (ascaridíase, teníase e esquistossomose são exemplos), sífilis e HIV.
Para doença de Chagas - problema para o qual o Brasil foi, durante cinco anos, o segundo maior financiador de pesquisas - o corte foi de 74%. Ethel Maciel explica que a dificuldade não é só para tratamentos, mas também em prevenção e diagnóstico. Um dos principais tratamentos para a leishmaniose, por exemplo, é feito com uma substância chamada antimoniato, que mata o protozoário causador da infecção. "Às vezes em que chamam a atenção é quando saem do circuito de baixa renda e locais pobres em que normalmente são endêmicas e atingem a classe média, bairros ricos", diz Ethel Maciel.
O evento é voltado para os profissionais de saúde “É um simpósio que integra a universidade com o serviço de saúde. Vários profissionais que atuam na atenção primária foram convidados; a intenção é estreitar esses laços e, assim, melhorar a qualidade de vida da população, ” enfatiza Joziana. Zoonoses são doenças ou infecções naturalmente transmissíveis entre animais vertebrados e seres humanos. Considerando que, na grande maioria dos casos, a intervenção ou controle na origem animal pode prevenir problemas de saúde pública subsequentes, é necessário considerar e desenvolver intervenções integradas que levem em consideração as causas que interagem e são responsáveis pelos problemas intersetoriais da saúde.
Afinal, em extensas partes do mundo nas quais as condições de vida e de higiene melhoraram, elas não são mais um problema. Apesar das dificuldades desafiadoras, 47 países eliminaram pelo menos uma dessas doenças até o final de 2022 e os programas para sua prevenção e controle tiveram melhor desempenho em 2022 do que em 2021. São enfermidades “negligenciadas” por estarem quase ausentes da agenda global de saúde, receberem pouco financiamento e serem associadas ao estigma e à exclusão social. Acometem populações negligenciadas e perpetuam um ciclo de maus resultados educacionais e oportunidades profissionais limitadas. O ministério também afirma que o Brasil tem "alta carga de doenças não-transmissíveis, além das doenças transmissíveis e negligenciadas".
Segundo o relatório da G-Finder sobre investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em doenças negligenciadas, o investimento no Brasil caiu muito nos últimos anos - apesar de ter crescido no mundo, onde atingiu seu maior patamar em 2017. No caso das doenças negligenciadas, no entanto, praticamente toda a pesquisa e desenvolvimento é feita pelo setor público ou por instituições sem fins lucrativos, principalmente estrangeiras. A falta de interesse da indústria farmacêutica faz com que essas doenças tenham tratamentos muito antigos, com limitações, baixa eficácia e reações adversas, explica Jadel Katz.
Os autores identificaram uma alta concentração de recursos para trabalhos em biomedicina básica (81,6% do total), desenvolvidos em laboratório e majoritariamente voltados à investigação dos mecanismos de ação dos patógenos e desdobramentos da infecção no organismo. Enquanto isso, pesquisas de caráter epidemiológico e de avaliação e aprimoramento dos serviços de saúde receberam apenas 7% dos recursos totais. É certo que o levantamento do G-Finder considera como negligenciadas doenças não mais classificadas assim pela OMS, como a malária, que se tornou alvo de mais investimentos nos últimos anos. Desenvolvida pela farmacêutica britânica GlaxoSmithKline, a vacina age contra Plasmodium falciparum, o mais letal dos cinco parasitas que causam a malária. O trabalho Diagnóstico remoto e proficiência 3D para malária, do pesquisador do Serviço de Doenças Parasitárias (SDP) da Funed, Job Alves de Souza Filho, venceu a categoria Ideias Inovadoras Implementáveis, em 2021. O trabalho vencedor propôs uma solução para modernizar o diagnóstico da malária no estado, doença negligenciada que ainda causa muitas mortes no Brasil.
As doenças negligenciadas são aquelas causadas por agentes infecciosos ou parasitas e são consideradas endêmicas em populações de baixa renda. Essas enfermidades também apresentam indicadores inaceitáveis e investimentos reduzidos em pesquisas, produção de medicamentos e em seu controle. As doenças tropicais, como a malária, a doença de Chagas, a doença do sono (tripanossomíase humana africana, THA), a leishmaniose visceral (LV), a filariose linfática, o dengue e a esquistossomose continuam sendo algumas das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo. https://drauziovarella.uol.com.br/entrevistas-2/dependencia-quimica-entrevista/ Estas enfermidades, conhecidas como doenças negligenciadas, incapacitam ou matam milhões de pessoas e representam uma necessidade médica importante que permanece não atendida. Embora as doenças tropicais e a tuberculose sejam responsáveis por 11,4% da carga global de doença, apenas 21 (1,3%) dos 1.556 novos medicamentos registrados entre 1975 e 2004, foram desenvolvidos especificamente para essas doenças.
Com a perda dos dados, também é difícil definir políticas públicas de saúde compatíveis com a realidade. Isso aumenta o risco do surgimento de novas epidemias, uma vez que não se sabe a atual magnitude dos casos de DTNs. – A água segura, o saneamento e a higiene (WASH, na sigla em inglês) são componentes essenciais da estratégia de combate às DTNs e fatores críticos na prevenção e na prestação de cuidados para a maioria delas.